The Project Gutenberg EBook of Juizo Verdadeiro sobre a carta contra os
Medicos, Cirurgioens e Boticarios, by Bento Morganti

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Title: Juizo Verdadeiro sobre a carta contra os Medicos, Cirurgioens e Boticarios

Author: Bento Morganti

Release Date: December 11, 2010 [EBook #34625]

Language: Portuguese

Character set encoding: ISO-8859-1

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                              JUIZO
                            VERDADEIRO
                      SOBRE A CARTA CONTRA OS
                              MEDICOS,
                            CIRURGIOENS,
                            E BOTICARIOS
  _Ha pouco impresa com o titulo de Sustos da Vida nos Perigos da Cura._
                          EXPOSTO EM HUMA
                               CARTA
                        DE HUM AMIGO A OUTRO,
                 que sobre ella lhe pedio o parecer.




                               LISBOA
                    Na Officina de JOSEPH FILIPPE.
                        Anno de M.DCC.LVIII
                    _Com as licenas necessarias._






JUIZO

VERDADEIRO

SOBRE A CARTA CONTRA OS

MEDICOS, CIRURGIOENS,

E BOTICARIOS

Meu amigo, e Senhor, satisfazendo  sua recomendaa de lhe enviar os
papeis coriosos, que sahirem nesta Cidade mais bem compostos, e
recebidos; remetto a v. m. esse que a semana passada se publicou com o
titulo de Sustos da Vida nos Perigos da Cura, ta agradavel aos
curiosos, como aos medicos odiozo. E ainda que sei, que v. m. na he
muito inclinado a obras satyricas, com tudo me parece, lhe na
desagradar, pelo que tem de discreta. Eu desejara que v. m. agora se
achasse nesta Cidade para ouvir os pregoens dos cegos; pois na
contentes com o primeiro titulo, para dar mais clara noticia da obra,
apregoa; Carta contra os Medicos, Cirurgioens, e Boticarios (verdade
he, que na lhe levanta nenhum testemunho) e por fazer pirraa aos
mesmos servindose dos olhos dos moos, pois elles na pdem ser
testemunhas de vista, s portas de Boticarios, e na passagem dos
Medicos, e Cirurgioens levant com mais forte, e duplicada vs o prega
da sua fazenda, alguns sugeitos tenho ouvido louvar muito este papel de
discreto, e util  republica, para que se desenganem com estes homicidas
disfarados. Eu porm com juizo indiferente, espero pelo seu parecer,
para que instruindo-me como costuma, eu possa julgar com acerto. Deos
guarde a v. m. &c.


RESPOSTA.

Meu amigo, recebi a sua carta sempre estimavel, como sua e juntamente a
obra, que me remette, e lhe recomendo agora me mande todos os papeis,
que nesta Cidade se publicarem, porque quando nem todos sirva para
instrua, sera ao menos para divertimento do animo, e antidoto da
ociozidade. He j antigo em V. m. querer ouvir o meu parecer nestas
materias literarias, em que eu na tenho voto, julgando que o excederei
no bom gosto, quanto o excedo nos annos. Engana-se V. m. pois na sua
pouca idade tem aprendido mais estudo, do que eu vivendo. Se comtudo
dezeja ouvir-me lhe digo: que fao muito diverso conceito desta obra, do
que esses curiosos fazem. Eu confeo, que quando acabei de a ler me
lembrou _o novo cazo da consciencia_, excogitado pela jocosa agudeza do
Doutissimo P. Feyj: pelo qual fica obrigados restituir aos compradores
o dinheiro aquelles escriptores, que com titulos especiozos atrahem os
curiozos  compra das obras inuteis. Nesta obrigaa julguei eu
incurso ao autor da carta pois quem haver, que ouvindo o pompozo titulo
de Surtos da Vida nos Perigos da cura, na espere alguma obra erudta, e
composia discreta? Pois gaste o seu dinheiro, compre, e leia; e nada
mais achar, que huma carta extensissima, ou satyra prolongada, com
alguns contos de velhas, que por vulgares j na recrea ao leitor: tudo
afim de injuriar os nobres professores da medicina. Por isso os cgos,
vendo isto, trocra o titulo proposto no frontespicio em o da _Carta
contra os Medicos, Cirurgioens, e Boticarios_. E se me consultassem,
ainda eu lhe ensinaria outro prega mais proprio, e mais bonito.

Ora j que falamos nisto; eu entendo, que na he precizo ver a obra mas
basta ouvir os cegos, para formar della o devido conceito. Tantas legoas
distante me parece, que me est horrorizando os ouvidos o escandaloso
ecco deste prega. E que homem de juizo haver, a quem na escandalize
esta voz pelas ruas publicas. No capitulo 38 de Ecclesiastico nos manda
Deos honrar muito aos Medicos, dizendo; que a mesma ciencia, que
professa, os havia de exaltar, e fazer recomendaveis na presena dos
grandes. A ley os enobrece, Deos os recomenda, e quem disra, que se
havia de ver publicamente offendidos, e pela gente vulgar com vozes
ultrajados! Tudo he effeito de huma paixa cega.

Nem diga algum ignorante apaixonado, que esta satyra s se dirigia a os
Medicos impertos, pois na deve a sua imperiencia ser cauza de huma
descomposia publica; a nimguem se deve afrontar: e desta irrisa
universal toma o povo occasia para escarnecer confusamente de todos
pois nem sabe, nem he posivel distinguir o bom do mo. Porventura ser
motivo bastante haver alguns mos Theologos, Filosofos, ou Juristas para
que se publique huma invectiva contra os Juristas, Theologos, e
Filosofos; com que seja objecto da illuza do vulgo ignorante, e fabula
do povo, que por ter lido alguns erros dos professores destas ciencias,
pois ninguem delles se izenta (s se for o A. da carta) levante, que
todos sa huns nescios, que nada sabem, que na ha, que fiar nos seus
pareceres? Quem tal disera? Por isso eu digo, que esta obra, e seu
prega s hade ser agradavel ao vulgo nescio, mas odioza aos homens de
juizo.

E entendo, que os offendidos, ainda que sentidos, e envergonhados,
desprezara nos gritos dos cegos os clamores do A. da carta como nos
reprezenta Alciato a Lua continuando a sua carreira, e desprezando os
latidos daquelle ca importuno: que s o desprezo he o castigo de
similhantes atrevimentos.

Porm, se s por fra he ta escadalozo este papel, por dentro ainda he
muito mais, a quem com attena o ler (se acazo alguem o pode ler com
attena) pela impaciencia, que causa, na s a futilidade das suas
razoens, e liberdade da invectiva; mas tambem a prolixidade da sua
locua. Eu certamente acho muito admiravel o engenho, com que encheo o
seu A. mais de 2. folhas de papel, sem dizer huma raza cabal, e
convincente ao seu proposito. Louve muito embra Seneca por arteficio
grande incluir o muito em pouco, seja arteficioso engenho rezumir em
breves periodos copiosas expreoens; que eu na sei, se he mais
encher o dilatado espao de 17 paginas sem alguma expera judicioza:
pois ainda que ali se acham muitas couzas notaveis, todos sa de m nota.

Leia V. m. na primeira pagina, e logo achara falando da Medicina estas
palavras Consegueriamos huma melhor utilidade sem o suffragio deste
chamado bem, do que com a entruduca deste ingano! Pondere bem o seu
discurso estas palavras, e ver que daqui se colhe, que na opiniao do A.
da carta: a Medicia na deve ser chamada bem, antes mal; que, he inutil,
antes pernicioza no mundo que; que melhor se passaria sem ella, e que
foi hum engano, que se introduzio na terra, e conseguintemente nos
enganou, quem a introduzio. Elle bem claro o diz. Ora leia agora o cap.
j alegado do Eccles. e achar hum panegyrico da Medicina, e huma
recomendaa dos seus professores. Mas aqui ficara abismado, quem depois
de ver que o A. chama introdua de hum engano a Medicina acha que o
seu introductor foi Deos, em quem a F ensina na pode haver engano. Na
opinia dos Hebreos o primeiro que exercitou esta ciencia, foi o Anjo S.
Rafael, quando ensinou a Tobias, que extrahise a o peixe o coraa,
fel e figado para composia do remedio: mostrando-nos assim o mesmo
Deos quanto tem de divina esta ciencia; pois do Ceo mandou quem a
exercitasse.

Na aparte V. m. a memoria das palavras deste A. disfarado, nem os
olhos da Scriptura; e ver como se oppom a este cap. Nelle nos manda
Deos honrar ao Medico, e acrescenta que delle temos necessidade que se
na aparte de ns o Medico; porque as suas operaoens sa neessarias;
que Deos o introduzio, que lhe demos ns logar; que o Altissimo creou os
medicamentos, e delle se derivou, e nasceo a Medicina, e que o vara
prudente, e homem de juizo a na hade aborrecer. Daqui vem a resposta
para o que diz o A. que o mundo tem concebido hum odio entranhavel, e
desprezo universal a esta arte: pois s podera concebello algum louco.
Elle he que quer persuadir a todos, que o conceba; pois lhe quer
introduzir, que he huma arte enganosa, hum louvavel engano, que melhor
utilidade se consegueria sem o suffragio deste chamado bem; que ser
mil vezes melhor viver com alguma queixa, do que entregarse ao
Medico, para que o cure; que ser muito melhor viver com o discomodo de
huma saude arruinada, e outras couzas deste genero, que tudo sa
palavras suas. Mas s algum rude, material se hade capacitar destas
razoens ditas, e na provadas; porque na repara, que o mesmo A. se est
contradizendo a si. Em huma parte diz, que a Medicina he necessaria; em
outra na s diz, que he escuzada, mas nociva: em huma parte attribue a
Medicina os enganos; em outra affirma que tem preceitos certos. Eu
supponho, que elle cuida que enganaremse algumas vezes os Medicos he o
mesmo, que ser a Medicina enganosa: pois isso sabe qualquer menino, que
principia a estudar logica, que os erros dos professores na tira a
infalibilidade de qualquer ciencia. Mas na falemos em encoherencias;
que disso est a carta chea.

At reprova a experiencia, que se tira do exercicio de curar sem
advertir, que a ella deve a Medicina a maior parte dos seos progressos.
Bem o veremos, se olharmos para os seos principios. Costumava os homens
nos antigos seculos, quando sarava de alguma enfermidade escrever
os remedios; com que se curara; cuja noticia se guardava nos tempolos.
Expunha-se no Egypto, e Babylonia, e em outras naoens os enfermos nas
praas publicas; e os passageiros, se algum remedio sabia, lho
ensinava: e se com elle sarava, se punha por escripto no templo
guardado, como em archivo. Destas memorias se aproveitou Hipocrates,
natural da ilha Coo, que foi o primeiro, que coordinou os perceitos da
Medecina, extrahindo do templo de Diana muitos destes escriptos, de que
se utilizou, e juntando com a experimental a especulativa fez admiraveis
curas, que lhe immortalizara o nome. A experiencia, e observaa ainda
dos animaes, ensinou aos homens cousas utilissimas. Assim aprendera dos
leoens a virtude da quina, da Andorinha a da celidonia, do Hippotanco a
sangria, o cristal da ave Ibis, e outros muitos remedios de suma
utilidade. A experiencia, dizem os Filosofos, gerou a arte; e Cornelio
Celso affirma, que a Medicina empirica se deve juntar com a racional.

Ja me esquecia dar a raza, porque asima eu dice, que este escriptor
mascarado nada convencia com as suas razoens. Muitos se havia de
admirar, se tal me ouvisem; quando vem tantas paginas escriptas, tantos
cazos, e tantas noticias para este fim amontoadas. Pois na minha opinia
isso he a couza mais estravagante, que se pode dar. Ninguem nega, que
haja hum, ou outro Medico indigno que hum, ou outro errasse a cura ao
doente, como elle prova com os seos contos de algebeira; porm tambem se
tem feito curas ta admiraveis, que parecem exceder a fora do discurso
humano. Mas essas, ou se ignora pelo A. ou por malevolencia se
occulta. Elle quer, que o Medico seja pura intelligencia, que nunca
erre: isso na pode ser; porque quando a enfermidade he mortal, ha de
enganarse o Medico, ou na hade aproveitar a cura: elle mesmo o concede,
sempre houve, e hade haver molestias incuraveis; j dice Ouvidio, que
nem sempre estava na ma do Medico o remedio do enfermo; que muitas
vezes vence o poder da doena as foras da arte: mas he certo, que se
todos morrem por ley insespensavel da mortalidade, muitos conserva a
vida, e restaura a saude por beneficio especial da Medicina. Frustra-se
necessariamente as diligencias, nas doenas incuraveis e se erra
muitas vezes os Medicos nas curaveis, ou indifferentes, nem sempre he
facil o acerto em huma materia ta incerta, e ta escura. Por isso a
antiguidade nos reprezentou a Medicina em figura de mulher idoza com hum
borda nodoso em a ma? significando na ancianidade a experiencia, que
para ella se necessita, e no borda nodoso a difficuldade, que nella se
experimenta.

Assim que na se deve confusamente fazer huma indiscreta illuza, e
univeral zombaria dos Medicos; porque hum, ou outro errou porem a
malevolencia do A. na quer mais, que criminallos, e descompollos, seja
como for. Na pde chegar a mais o seu odio, do que a fazer-lhes
calumnias, e crimes de huma galantaria, que disse hum sugeito. Fallo
naquelle conto, que traz a paginas 15. de hum homem, a quem elle chama
discreto, que attribuio a morte repentina de hum amigo a ter visto em
sonhos hum Medico mao, que havia no seu tempo. Isto, que se na foi
materialidade, foi graa daquelle sugeito, toma elle com verdade, e
antecedente certo, para o seu argumento: e passa a dizer, e a exclamar,
que fora na realidade, quando s a imagem na fantazia produzio hum
hum tal effeito, se hum s visto em sonhos matou hum homem! Est muito
bom argumento mas se lhe negarem o supposto, logo ficar calado.

Para vomitar contra os Medicos o veneno da sua malevolencia, at comessa
a sua jocosidade indiscreta a illudilos por andarem a cavallo: e como os
faz inimigos mortaes do genero humano, diz, que anda assim, como mais
expeditos para o exercicio da mortandade, porque sempre a cavalaria fez
mais estrago, que a infantaria (veja como sa insulsas estas graas) e
l vai a sua erudia exquesita achar para prova hum texto de S. Joa,
que vio a morte a cavallo. Est bem trazido! Gasta mais de huma pagina
em ponderar, como condemna  morte os Juizes, e os Medicos; pois
aquelles o fazem com multiplicidade de votos, elles s pela sua
sentena. Bella comparaa? de sorte que o Juiz da pozitivamente a morte
em justa pena do delito; o Medico quer intencionalmente dar a vida; mas
ou porque errou, ou Deos assim o quiz, morreo o doente: logo (infere o
A.) condemnou o Medico a morte ao enfermo, assim como o Juiz ao
deliquente; s com a differena, que o Juiz com o voto de muitos, o
Medico pela sua vontade. Notal filosofia, bem tirada conclusa!

Mas he muito para rir hum idea, que elle confessa ser tirada das suas
experiencias, e logo se v que he sua. Aconselha as Potencias
belligerantes (he palavrinha sua) que introduza nos exercitos oppostos
hum pequeno pelota de Medicos; porque elle sem duvida faria em 8. dias
mais destrosso, do que o exercito podia experimentar em 6. mezes de
campanha. A invena est exquezita. Assim ficava as guerras mais
suaves, e na experimentaria nellas os reinos ta funestos, e
irreparaveis estragos. Escusava os miseraveis soldados de expor o peito
 bala, e dezemparar as familias, perderem-se as cazas, devassarem-se as
cidades, profanarem-se os templos, estragarem-se as riquezas, e poderes,
e sucederem todas aquellas calamidades, que causa o furor de huma
sanguinolenta guerra. Em boa paz se fazia tudo: hia os Medicos,
Cirurgioens, e Boticarios matando descanadamente de seu vagar, ou para
melhor dizer, muito depressa, porque fazia em 8 dias, o que os
exercitos em 6 mezes, e em breve tempo se declarava feliz, e suavemente
a victoria. A muito chega o discuro humano! E ainda se na tinha
dado nisto! Eu era de parecer, que esta carta se mandasse a essas
naoens, que actualmente anda belligerando (deixeme aproveitar desta
palavra do A.) aver se sortia bom effeito a ida. Mas era percizo, que o
enigmatico Joz Acursio desse tambem o modo, com que se havia fazer que
a doecesse o exercito opposto; porque estando todos sos, pareceme que
na pode ter effeito; pois quando muito s se lhe podia dar a morte nos
remedios, que se lhe receitassem para a saude. Deve tambem declarar, se
he da essencia, que os ferros dos Cirurgioens seja ferrugentos pois
elles diz assim: Os Cirurgioens armados com os seos estojos, e patronas
com 4 lancetas, e huns poucos de ferros ferrugentos. Eu nunca vi que os
Cirurgies troxesem os ferros ferros ferrugentos antes bem limpos, e
amolados: e assim, se isso he condia necessaria, declare-o; na se
frustre a idea por falta desse requezito. O certo he que a paixa cega
aos homens; e na he muito que fallem delirios quando fala apaixonados.
Assim na me admiro, que elle homem, que sempre venero douto, querendo
illudir jocoseriamente aos Medicos cahise em tantas inepcias, e
jocosidades insipidas, quando se est vendo a sua malevolencia, e
odio e odio; pois at os calumnias de ganharem, com que se sustentem;
admirandose, de que o tempo se converta para elles em dinheiro. Bem
disse eu, que a paixa cega aos homens; pois na ve este discreto, que
isso na he s para os Medicos. Todos trabalha pela vida; todos cuida
em ganhar o necessario, e ainda o superfluo, e para todos se converte o
tempo em dinheiro, quando recebem o lucro do seu trabalho. Diga-o elle
mesmo confesse para que compz aquella carta, e a mandou imprimir? Para
ganhar dinheiro: em dinheiro se lhe converteo o tempo, em que a trabalhou.

Eu na sey, que lhe fizera os Medicos, Cirurgioens, e Boticarios; pois
publica contra elles ta cruel guerra. S louva aquelle, que curou hum
homem s palmatoadas: eu na sei, que graa elle achou na cura. Ella
certamente d vontade de rir, e elle mesmo o confessa. Palmatoadas he
remedio, que se na acha na botica. Verdade he que se applica nas
escolas, e estudos aos rapazes, e faz bom effeito; mas he medicina para
a preguia: para outros doenas na me consta. As palmatoadas
inventara-se para castigo eu na sey que adoecer seja crime. Mas repare
V. m. na habilidade, que aquelle Cirurgia tinha para guarda do
Collegio, e certamente que era mais bem empregado nesta occupaa, e
ficaria aperder de vista Manoel Mendes, na obstante ser ta insigne
official de palmatoadas, de que escapara os pobres estudantes, quando
as groseiras mos de hum alfayate suara imposibilitadas de trabalhar
ainda depois de sa. O A. na se farta de lhe louvar o bom raciocinio, e
bom discurso; mas eu ainda lhe acho hum defeito, que vem a ser na lhe
dar aoutes em lugar de palmatoadas; pois escusava de lhe cauzar o
prejuizo de perder ao outro dia o seu jornal, e talvez fizessem melhor
effeito; pois havia mais facilmente puxar o mal abaixo. Julgo que o A.
tomara para si elle Cirurgia; ainda que isto, como he mezinha cazeira,
na necessita, que lha venha applicar de fra. Quem lhe agradar
encomende aos seos domesticos, que quando lhe vier alguma doena, lhe
descarreguem humas poucas de palmatoadas, ou aoutes (cada hum do que
mais gostar) e em quanto na sarar, lhe va dando rijo, a ver se fazem
fugir o mal s pancadas. E para que na parea que fao zombaria do
remedio, eu quero tambem contar o meu cazo a imitaa do A. da carta.
Certo rapaz se fazia maliciozamente cocho, e tendo noticia o mestre do
fingimento lhe dava meya duzia de palmatoadas: sarou repentinamente
o rapaz, e comeou a andar muito direito. Logo com estas duas
experiencias, se confirma a bondade do dito remedio.

A fallar a verdade, meu amigo, eu na me persuado, que este escriptor
dissese em seu serio, e porque assim o entendese, todas as couzas, que
neste papel escreve: com tudo na deixa de me cauzar escrupulo, e horror
o que pertende persuadir ao povo; pois toda esta carta he dirigida a
meter lhe sustos, para que na se curem com os Medicos, nem Cirurgioens.
Assim o diz o titulo: _Sustos da vida nos Perigos da cura_; e todo o seu
empenho he intoduzir nas gentes hum medo, pavor, e susto dos mesmos
Medicos. Elle entra a exclamar, quem se hade metter sem sustos nas mos
de hum Medico? Quem na ter sustos de ver a sua cabeceira hum homem, de
quem depende  sua vida. Quem deixar de estar a cada hora esperando que
lhe cortem os fios da vida? Elle faz a Medecina chea de enganos diz que
he hum engano introduzido, que se na deve chamar bem, que melhor
utilidade se consegueria sem ella. Elle diz que ser mil vezes melhor na
prezena de alguma queixa viver antes com ella, do que entregar-se nas
mos de qualquer Medico; que he muito melhor viver sujeito ao
discommodo de huma saude arruinada; do que pertenderse curar-se; que o
estudo destes professores s he pelos vivos, a quem tira a vida,
enganando o povo nescio com alguns afforismos, que de memoria repetem.
Elle quer introduzir ao vulgo, que os Medicos sa coadjutores da morte,
que o seu officio he matar; que sentencea aos homens camerariamente 
morte; que sa hum contagio, cujo damno se pode experimentar nos lugares
mais sadios; que he milagre estarmos vivos entre elles; que s vistos em
sonhos mata; que fazem mais estragos em 8 dias, do que hum exercito
armado em 6 mezes, andando para isso a cavallo para assim mais expeditos
despojarem das vidas aos homens: e outras couzas similhantes; sendo
todas estas tiradas fielmente da sua carta, quasi pelas mesmas palavras.
Finalmente elle persuade ao leitor, que as juntas sa superfluas, e os
chamar Medicos se reserve s para a ultima enfermidade, e ainda isso
para morrer a moda, ou que s o faa quem se enfastiar de viver, e
quizer matarse por modo, que fica salva a sua consciencia.

Neste passo na posso deixar de me impacientar, nem haver coraa
catolico, e pio, que que se na escandalize com propozioens ta
absurdas. Matar-se por modo que fique salva, a consciencia! Ha quem tal
diga! Isto na pode ser; repugna direitamente aos dogmas da Religia
Catholica. A morte propria na he, nem pode ser licita: e o vulgo
ignorante, vendo isto, pode persuadir-se que sim, quem chamar hum Medico
com tena de que elle o mate, ainda que se na sigua a morte, pecca
mortalmente. Eu sertamente tenho hum grande receio, de que este papel
enchendo de prejudiciaes preoccupaoens o povo, cause fataes, e
irreparaveis damnos a muitos dos seos leitores. Quantos se privara de
algum bom arbitrio, que se houvesse de dar na junta, que sobre a sua
enfermidade se convocasse; sendo serto que muitas vezes se discorrem
nestas conferencias operaoens de admiraveis effeitos, que na occuria
ao Medico assistente. Quantos se deixara morrer  falta de remedidos?
quando lhe tira o A. o escrupulo do peccado; se ainda entendendo todos
estarmos obrigados a tratar da saude, deixava por negligencia fazer as
doenas incuraveis, acudindo-lhe quando ja na tinha remedio. (E ao
depois se attribuia ao Medico a culpa, que s tinha o doente) Quantos
haver, que se atgora por desencarregar a consciencia chamava os
Medicos bem a pezar da sua avareza, agora vendo que he gasto superfluo
morrera mizeravelmente? Quantos lendo no A. que isto s se faz por
moda, na fazendo cazo de modas, guardara o dinheiro para os gastos
precizos, e abreviara, desgraadamente as vidas? Quantos finalmente
cheos de sustos, receios, temores, e medo dos Medicos, e suas curas,
deixando multiplicar, e inveterar as queixas vivera com huma saude
arruinada, e acabara infilizmente com huma morte imtempestiva? He fatal
disgraa, que o odio particular, seja ta pernicioso ao bem publico! Eu,
meu amigo, lhe peo na s pela nossa amizada, mas pelo zelo, e amor de
Deos, e do Proximo, que em seu peito se anima, empenhe agora toda a sua
efficacia, em dissuadir destas noticias preocupaoens a este miseravel
povo ensinando-lhe; que temos como catholicos, rigoroza obrigaa de
conservar a vida, uzar dos remedios, e do conselho dos Medicos, e de lhe
obedecer nas couzas uteis para a saude persuadindo-o evidentemente
contra a opinia destes curiosos das duzias, que este papel he todo
cheio de mentiras, embustes, futilidades, e incoherencias.

Tenho exposto a V. m. o meu voto; e na sey, se com molestia sua pela
extena de que uzei; porm os velhos difficultosamente se izenta da
prolixidade, e ainda eu deixei muitas couzas censuraveis. Mais extensa
fora esta minha, se eu introduzira huns poucos de textos bem, ou mal
trazidos, como faz o nosso Acursio. Porm eu estou j muito esquecido
destes latinorios; deixemos isto a sua vastida, a quem nem escapou o
exquezito: _Hoc opus hic labor est._ Com tudo por na deixar tambem de
dizer minha palavrinha latina, que sempre faz muita secia, direi ao
menos a da despedida, e assim me despeo em latim. Vale.

                                                     _Amicos ex corde._


F I M





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agree to be bound by the terms of this agreement.  There are a few
things that you can do with most Project Gutenberg-tm electronic works
even without complying with the full terms of this agreement.  See
paragraph 1.C below.  There are a lot of things you can do with Project
Gutenberg-tm electronic works if you follow the terms of this agreement
and help preserve free future access to Project Gutenberg-tm electronic
works.  See paragraph 1.E below.

1.C.  The Project Gutenberg Literary Archive Foundation ("the Foundation"
or PGLAF), owns a compilation copyright in the collection of Project
Gutenberg-tm electronic works.  Nearly all the individual works in the
collection are in the public domain in the United States.  If an
individual work is in the public domain in the United States and you are
located in the United States, we do not claim a right to prevent you from
copying, distributing, performing, displaying or creating derivative
works based on the work as long as all references to Project Gutenberg
are removed.  Of course, we hope that you will support the Project
Gutenberg-tm mission of promoting free access to electronic works by
freely sharing Project Gutenberg-tm works in compliance with the terms of
this agreement for keeping the Project Gutenberg-tm name associated with
the work.  You can easily comply with the terms of this agreement by
keeping this work in the same format with its attached full Project
Gutenberg-tm License when you share it without charge with others.

1.D.  The copyright laws of the place where you are located also govern
what you can do with this work.  Copyright laws in most countries are in
a constant state of change.  If you are outside the United States, check
the laws of your country in addition to the terms of this agreement
before downloading, copying, displaying, performing, distributing or
creating derivative works based on this work or any other Project
Gutenberg-tm work.  The Foundation makes no representations concerning
the copyright status of any work in any country outside the United
States.

1.E.  Unless you have removed all references to Project Gutenberg:

1.E.1.  The following sentence, with active links to, or other immediate
access to, the full Project Gutenberg-tm License must appear prominently
whenever any copy of a Project Gutenberg-tm work (any work on which the
phrase "Project Gutenberg" appears, or with which the phrase "Project
Gutenberg" is associated) is accessed, displayed, performed, viewed,
copied or distributed:

This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
almost no restrictions whatsoever.  You may copy it, give it away or
re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
with this eBook or online at www.gutenberg.net

1.E.2.  If an individual Project Gutenberg-tm electronic work is derived
from the public domain (does not contain a notice indicating that it is
posted with permission of the copyright holder), the work can be copied
and distributed to anyone in the United States without paying any fees
or charges.  If you are redistributing or providing access to a work
with the phrase "Project Gutenberg" associated with or appearing on the
work, you must comply either with the requirements of paragraphs 1.E.1
through 1.E.7 or obtain permission for the use of the work and the
Project Gutenberg-tm trademark as set forth in paragraphs 1.E.8 or
1.E.9.

1.E.3.  If an individual Project Gutenberg-tm electronic work is posted
with the permission of the copyright holder, your use and distribution
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terms imposed by the copyright holder.  Additional terms will be linked
to the Project Gutenberg-tm License for all works posted with the
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License terms from this work, or any files containing a part of this
work or any other work associated with Project Gutenberg-tm.

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prominently displaying the sentence set forth in paragraph 1.E.1 with
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1.E.6.  You may convert to and distribute this work in any binary,
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request, of the work in its original "Plain Vanilla ASCII" or other
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1.E.7.  Do not charge a fee for access to, viewing, displaying,
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- You pay a royalty fee of 20% of the gross profits you derive from
     the use of Project Gutenberg-tm works calculated using the method
     you already use to calculate your applicable taxes.  The fee is
     owed to the owner of the Project Gutenberg-tm trademark, but he
     has agreed to donate royalties under this paragraph to the
     Project Gutenberg Literary Archive Foundation.  Royalty payments
     must be paid within 60 days following each date on which you
     prepare (or are legally required to prepare) your periodic tax
     returns.  Royalty payments should be clearly marked as such and
     sent to the Project Gutenberg Literary Archive Foundation at the
     address specified in Section 4, "Information about donations to
     the Project Gutenberg Literary Archive Foundation."

- You provide a full refund of any money paid by a user who notifies
     you in writing (or by e-mail) within 30 days of receipt that s/he
     does not agree to the terms of the full Project Gutenberg-tm
     License.  You must require such a user to return or
     destroy all copies of the works possessed in a physical medium
     and discontinue all use of and all access to other copies of
     Project Gutenberg-tm works.

- You provide, in accordance with paragraph 1.F.3, a full refund of any
     money paid for a work or a replacement copy, if a defect in the
     electronic work is discovered and reported to you within 90 days
     of receipt of the work.

- You comply with all other terms of this agreement for free
     distribution of Project Gutenberg-tm works.

1.E.9.  If you wish to charge a fee or distribute a Project Gutenberg-tm
electronic work or group of works on different terms than are set
forth in this agreement, you must obtain permission in writing from
both the Project Gutenberg Literary Archive Foundation and Michael
Hart, the owner of the Project Gutenberg-tm trademark.  Contact the
Foundation as set forth in Section 3 below.

1.F.

1.F.1.  Project Gutenberg volunteers and employees expend considerable
effort to identify, do copyright research on, transcribe and proofread
public domain works in creating the Project Gutenberg-tm
collection.  Despite these efforts, Project Gutenberg-tm electronic
works, and the medium on which they may be stored, may contain
"Defects," such as, but not limited to, incomplete, inaccurate or
corrupt data, transcription errors, a copyright or other intellectual
property infringement, a defective or damaged disk or other medium, a
computer virus, or computer codes that damage or cannot be read by
your equipment.

1.F.2.  LIMITED WARRANTY, DISCLAIMER OF DAMAGES - Except for the "Right
of Replacement or Refund" described in paragraph 1.F.3, the Project
Gutenberg Literary Archive Foundation, the owner of the Project
Gutenberg-tm trademark, and any other party distributing a Project
Gutenberg-tm electronic work under this agreement, disclaim all
liability to you for damages, costs and expenses, including legal
fees.  YOU AGREE THAT YOU HAVE NO REMEDIES FOR NEGLIGENCE, STRICT
LIABILITY, BREACH OF WARRANTY OR BREACH OF CONTRACT EXCEPT THOSE
PROVIDED IN PARAGRAPH 1.F.3.  YOU AGREE THAT THE FOUNDATION, THE
TRADEMARK OWNER, AND ANY DISTRIBUTOR UNDER THIS AGREEMENT WILL NOT BE
LIABLE TO YOU FOR ACTUAL, DIRECT, INDIRECT, CONSEQUENTIAL, PUNITIVE OR
INCIDENTAL DAMAGES EVEN IF YOU GIVE NOTICE OF THE POSSIBILITY OF SUCH
DAMAGE.

1.F.3.  LIMITED RIGHT OF REPLACEMENT OR REFUND - If you discover a
defect in this electronic work within 90 days of receiving it, you can
receive a refund of the money (if any) you paid for it by sending a
written explanation to the person you received the work from.  If you
received the work on a physical medium, you must return the medium with
your written explanation.  The person or entity that provided you with
the defective work may elect to provide a replacement copy in lieu of a
refund.  If you received the work electronically, the person or entity
providing it to you may choose to give you a second opportunity to
receive the work electronically in lieu of a refund.  If the second copy
is also defective, you may demand a refund in writing without further
opportunities to fix the problem.

1.F.4.  Except for the limited right of replacement or refund set forth
in paragraph 1.F.3, this work is provided to you 'AS-IS' WITH NO OTHER
WARRANTIES OF ANY KIND, EXPRESS OR IMPLIED, INCLUDING BUT NOT LIMITED TO
WARRANTIES OF MERCHANTIBILITY OR FITNESS FOR ANY PURPOSE.

1.F.5.  Some states do not allow disclaimers of certain implied
warranties or the exclusion or limitation of certain types of damages.
If any disclaimer or limitation set forth in this agreement violates the
law of the state applicable to this agreement, the agreement shall be
interpreted to make the maximum disclaimer or limitation permitted by
the applicable state law.  The invalidity or unenforceability of any
provision of this agreement shall not void the remaining provisions.

1.F.6.  INDEMNITY - You agree to indemnify and hold the Foundation, the
trademark owner, any agent or employee of the Foundation, anyone
providing copies of Project Gutenberg-tm electronic works in accordance
with this agreement, and any volunteers associated with the production,
promotion and distribution of Project Gutenberg-tm electronic works,
harmless from all liability, costs and expenses, including legal fees,
that arise directly or indirectly from any of the following which you do
or cause to occur: (a) distribution of this or any Project Gutenberg-tm
work, (b) alteration, modification, or additions or deletions to any
Project Gutenberg-tm work, and (c) any Defect you cause.


Section  2.  Information about the Mission of Project Gutenberg-tm

Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
electronic works in formats readable by the widest variety of computers
including obsolete, old, middle-aged and new computers.  It exists
because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from
people in all walks of life.

Volunteers and financial support to provide volunteers with the
assistance they need are critical to reaching Project Gutenberg-tm's
goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will
remain freely available for generations to come.  In 2001, the Project
Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations.
To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
and the Foundation web page at http://www.pglaf.org.


Section 3.  Information about the Project Gutenberg Literary Archive
Foundation

The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
Revenue Service.  The Foundation's EIN or federal tax identification
number is 64-6221541.  Its 501(c)(3) letter is posted at
http://pglaf.org/fundraising.  Contributions to the Project Gutenberg
Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
permitted by U.S. federal laws and your state's laws.

The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered
throughout numerous locations.  Its business office is located at
809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email
business@pglaf.org.  Email contact links and up to date contact
information can be found at the Foundation's web site and official
page at http://pglaf.org

For additional contact information:
     Dr. Gregory B. Newby
     Chief Executive and Director
     gbnewby@pglaf.org


Section 4.  Information about Donations to the Project Gutenberg
Literary Archive Foundation

Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
spread public support and donations to carry out its mission of
increasing the number of public domain and licensed works that can be
freely distributed in machine readable form accessible by the widest
array of equipment including outdated equipment.  Many small donations
($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
status with the IRS.

The Foundation is committed to complying with the laws regulating
charities and charitable donations in all 50 states of the United
States.  Compliance requirements are not uniform and it takes a
considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
with these requirements.  We do not solicit donations in locations
where we have not received written confirmation of compliance.  To
SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
particular state visit http://pglaf.org

While we cannot and do not solicit contributions from states where we
have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
against accepting unsolicited donations from donors in such states who
approach us with offers to donate.

International donations are gratefully accepted, but we cannot make
any statements concerning tax treatment of donations received from
outside the United States.  U.S. laws alone swamp our small staff.

Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
methods and addresses.  Donations are accepted in a number of other
ways including including checks, online payments and credit card
donations.  To donate, please visit: http://pglaf.org/donate


Section 5.  General Information About Project Gutenberg-tm electronic
works.

Professor Michael S. Hart is the originator of the Project Gutenberg-tm
concept of a library of electronic works that could be freely shared
with anyone.  For thirty years, he produced and distributed Project
Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.


Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
unless a copyright notice is included.  Thus, we do not necessarily
keep eBooks in compliance with any particular paper edition.


Most people start at our Web site which has the main PG search facility:

     http://www.gutenberg.net

This Web site includes information about Project Gutenberg-tm,
including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
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